Radio Fusion

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

  
            General Go:  Golbery e as feridas que ainda machucam

            Nos últimos tempos, a cidade viu-se envolvida sobre a homenagem ao General Golbery Couto e Silva. Manifestações diversas e debates ríspidos na qual as partes defendiam na ótica de suas verdades, a negação ou a afirmação do projeto então proposto. O enfrentamento no campo das ideias permeava a disputa das contradições centrada no eixo básico: as benesses que Golbery fez pela cidade e suas maquinações perversas do período ditatorial.
            São duas verdades em que as partes buscavam destruir como se o essencial da vida do General tivesse  sido pautado sob a ótica em disputa. Nem ele gostaria desses “apreços” que estão lhe propondo porque uma das características da figura controvertida de Golbery era sua preferência dos subterrâneos aos holofotes.
            Perdeu-se tempo em demonizar ou tentativas simplistas de colocá-lo no panteão das celebridades ingênuas e que tanto ofereceu a sua terra natal. Ora, essa cantilena não trouxe nenhuma novidade aos debates e a necessidade através deste confronto,  o significado da ditadura no Brasil.
            O General Golbery representou o personagem chave do país desde os anos de 1950 e   sua prática é coerente com seu pensamento e não custa nada rever suas obras que demarcaram sua trajetória politica, como o Planejamento estratégico  (1955) e Geopolítica do Brasil (1981). (Ver  em Frederico Carlos de Sá Costa –‘ Repensando Golbery’ – Universidade Federal de Juiz de Fora)  A crítica, neste sentido, é que não se veja só o escárnio ditatorial, base do debate, mas buscar 10 anos antes quando em 1954, lá estava o Tenente-Coronel fustigando no Governo de Getúlio e estimulando a demissão do Ministro do Trabalho, Jango, e esteve preso em 1955 porque foi um dos articuladores da “novembrada”, movimento que visava impedir a posse de JK e de sue vice, Jango. Com a renúncia de Jânio Quadros, oferecia a João Goulart, o vice que  assumiria, o sistema parlamentarista, mas sem antes interagir nos bastidores para Goulart não assumir a Presidência do país. Passaria para a Reserva coordenando o IPES, esteve no IBAD e no Movimento Anti Comunista na intensa conspiração contra o governo.
            Com o sucesso do Golpe de 1964, foi para o SNI com  status de    Ministro, mas com a chegada da linha dura de Costa e Silva, cai no ostracismo e foi trabalhar na filial multinacional da Dow Chemical em 1969. Novas polêmicas. Retorna como Chefe de Gabinete Civil em 1974 com Geisel e esteve na condução da “transição transada” cujo ritmo pretendia aumentar, segundo Assunção, (ver em www.espaçoacademico.com.br/070/70assuncao.htm) aproximando-se dos membros da Igreja e outras lideranças. Mas se havia pequenos entendimentos, no Governo Geisel, sérias violações dos direitos humanos, censura e arbitrariedades. Para ele, os inimigos deveriam ser monitorados e enfraquecidos, nunca aniquilados para se fortaleceram e nem criar mártires e guiou-se por essa visão ao conduzir a distensão. Com João Figueiredo na presidência ficou de 1979 a 1981 e contrário às ações do terrorismo de direita desliga-se e vai trabalhar na diretoria do Banco Cidade. Afastou-se da vida pública, como diriam os especialistas, mas continuava a serviço de uma burguesia entrelaçada ao poder e seus interesses e via na sua ideologia pragmática, sempre voltada aos problemas do Brasil e suas injunções conservadoras. Renegava os comunistas, desprezava a democracia, era odiado pela linha dura, nacionalista extremo e pensava na industrialização subordinada ao capital internacional.
            A discussão de uma placa em seu nome poderia gerar novas formas da discussão quanto ao período de exceção no Brasil. Uma placa? Um busto? A memória em pedaços, fatiada de acordo com os interesses. Para muitos o “satânico” Dr. Golbery ressuscitado, para outros um eterno injustiçado. A homenagem mal conduzida por um grupo de súditos e a reação imediata da sociedade civil impuseram novas reflexões. As feridas ainda não curaram.
  
                 Kiriku, a Feiticeira e a Estrada da Palma

                Um filme surpreendente assinado por Michel Ocelot, “Kiriku e a Feiticeira”, bem que poderia ser lembrado quando o assunto fosse sobre a cultura afro-brasileira ou a temática sobre a consciência negra.  Trata de uma lenda africana recontada aos encantos do premiado desenho animado no qual Kiriku, um menino minúsculo e seu dom especial, nasce em uma aldeia e vem ao mundo para livrar seu povo da opressão da temível feiticeira Karabá. O desenho viaja com o pequeno herói em diversas situações do mundo místico das lendas africanas para salvar seu povo das mãos da feiticeira. Kiriku tem tudo de um pequeno herói: dócil, curioso, inteligente, meigo e não sabe mentir.
                Foi por isso que me lembrei deste filme, por causa do verbo mentir. Ele é transitivo direto, mas, indiretamente me aguçou a memória. Foi há dois anos no debate entre os vices à Prefeitura do Rio Grande, no Povo Novo, e foi questionado  aos candidatos a situação precária das estradas interioranas. Ficava a promessa que até o fim do ano as máquinas e o saibro estariam na Estrada da Palma, isto em 2009, e era promessa do representante situacionista.   Pois bem. Semana passada percorri a estrada e não vi nenhum melhoramento. Nada. E não é uma estrada qualquer. Seus traçados básicos já estavam delimitados no mapa de Canno y Olmilla desde os anos de 1776. Os antigos caminhos e ocupações indígenas  e que depois serviram de rota aos tropeiros que vinham do sul em direção as charqueadas pelotenses no século 19, continuam mal cuidados. O primeiro e único saibro colocado já ultrapassou 30 anos e pouca coisa mudou.
                Na campanha eleitoral, sabemos, valem as promessas vazias, contínuos engodos, farsas já ultrapassadas, mas na efetivação dos cargos postulados, porque esse marasmo? Tem que ter ousadia e conhecimento. Recordo então Kiriku que foi atrás do sábio nos altos da montanha sagrada se aconselhar e descobrir o segredo para vencer a malvada feiticeira Karabá. No fim do filme, o sábio reafirma que o nosso herói não mente, mas e nós, cidade real, o que fazer?
                 Nem uma estrada histórica com seus 230 anos nossos gestores conseguem enxergar. Nestes caminhos circulam nossos produtos primários como o leite, o arroz, a cebola, a produção de gado, mas falta circular o conhecimento, alternativas de rendas sustentáveis, rota de turismo rural, apoio a agricultura familiar e fixação do homem no campo, políticas públicas e boa vontade. Falta transparência e verdades.
 Kiriku é uma obra que vai além da magia das lendas da África Ocidental. Indicado para crianças e adultos, mas o tema recorrente é a inspiração que precisamos fazer algo.

Matrimônio em Santa Isabel no limiar do Império

     
Nubentes e Matrimônio; o cotidiano casadoiro em Santa Izabel dos Canudos.
1882 a 1885

Introdução
                        O fascínio pela criação do município estava no auge. Os nascimentos e os casamentos seriam a partir de julho de 1882 assentados como sendo oficializados na Villa de Santa Izabel dos Canudos, na Igreja Paroquial e não mais na Capela Filial do Arroio Grande. O 1º casamento lavrado em ata foi em 15.08.1882, após 45 dias da eleição dos vereadores da Câmara Municipal. Estavam definidos os rumos políticos e o perfil dos Liberais e seus projetos para Santa Izabel. Até o Auto de Instalação do novo município em 27.01.1883 tudo seria festivo. O primeiro casamento, primeiro batizado, a penca oficial, o baile da eleição, os vapores e suas bandeiras coloridas e até os tropeiros no passo do São Gonçalo em direção as charqueadas dividiam a alegria da emancipação.
            Depois do janeiro onde o selo da criação do distrito seria carimbado pelo Presidente da Província, tudo se modificaria e nada mais de festa. Retaliações, atrasos documentais, marasmo, insolência e má  vontade em aceitar o novo município de Santa Izabel passava a ser o novo desencanto com o Arroio Grande.
            Os casamentos entre 1882  e 1885 surgem nesta épica página da História local. A sociedade, a mobilidade social, o processo de urbanização e as mudanças de natureza socioeconômicas e políticas ocorridas neste período, compõe um leque visto através dos registros paroquiais quanto aos casamentos em Santa Izabel.

Antes era o sonho, depois o caos

            Porque falar em casamento? Porque lembrar os casamentos do passado se hoje eles estão em desuso? Talvez as respostas se insiram num pequeno recorte da curta existência da Vila de Santa Izabel, portanto, entender a dinâmica que diz respeito a vida social e os aspectos cognitivos de uma sociedade retratada sob dois olhares; da alegria de um pertencimento histórico ao maniqueísmo destruidor das utopias possíveis.
            E é esse o papel do historiador, buscar no passado as respostas para as indagações do presente. È encontrar fragmentos de uma sociedade em erupção, perdida nas insatisfações e longínquas lembranças.
            Antes de tudo é preciso entender o que era casar no século 19, as relações estabelecidas entre as famílias na qual sempre passava pelo consentimento do pai ou em muitas vezes a escolha ‘adequada’ do futuro esposo/esposa e que invariavelmente a imagem da mulher estava associada às de esposa e de mãe. Nesse sentido, a família patriarcal que Gilberto Freire enuncia em sua obra “Casa Grande e Senzala” incluía o quesito de proteção à mulher, pois era competência do esposo zelar pelo bem estar da família.
            A celebração do casamento obedecia a um rito social, reafirmando um conceito moral que entre as classes mais ricas, tendiam a transformar em bens e riquezas, tendo a aprovação familiar como sendo indispensáveis.
            Santa Izabel também teria algumas particularidades interessantes que neste momento o trabalho não consegue ou não se propõe analises individuais, mas chama a atenção a idade dos noivos, principalmente do homem, com média de idade de 28 anos e a idade da mulher que contraia matrimônio com 22 anos.
            Santa Izabel dos Canudos era uma paróquia longe das metrópoles, mas que oferecia acessos relativamente fáceis a centro maiores, comparados a sua situação portuária, mas haveria a oficialização das relações extras oficiais superiores aos chamados ”casamentos legais” dentro do espaço católico aquele tempo?
            Os noivos de outras localidades representam 31% do contingente masculino e 14% dos noivos eram de outras cidades com maior número de nubentes as cidades de Rio Grande, Arroio Grande e Pelotas. O que percebemos quanto a idade dos noivos é que não está somente relacionados aos moradores da Vila, mas contingentes com a mesma média de idade que vinham de outras cidades. Seria a falta de homens brancos e de uma faixa de renda estável para os padrões das oligarquias locais?
            Nos dados tabulados, não foi alterado a média de idade quando analisamos o contingente de noivos filhos de imigrantes, que representam um universo de 21% da presença de estrangeiros nos casamentos na localidade. São famílias de origem uruguaia, (Barcelos, Cordeiro e Gulart) italiana (Trident, Vazzoleri e Magrini) e portuguesa (d’Areas) que basicamente formaram o nicho casadoiro.
            O que podemos definir nesse ensaio sobre os casamentos é que eles tinham faces multifacetadas que caracterizavam o novo município. Economicamente toda a riqueza estava pautada na produção de bois, charque e exportação via porto de Rio Grande, mas a economia periférica do comércio urbano e serviços (mascates, hotéis, carpintaria, ferraria, açougue...) estavam entrelaçadas desde seu 2º distrito, a Estação Piratini, hoje Pedro Osório, a extensa região do Chasqueiro. Também não podemos esquecer as relações escravagistas com a presença maciça de negros  na qual dos casamentos analisados, somente uma noiva em 1884, filha de escrava casaria na Igreja de Santa Izabel. Muito pouco para uma população que representava mais de 50 % dos habitantes do município isabelense.
            O dia escolhido para os casamentos, as segundas-feiras representavam 43% dos dias da semana, mas casavam entre as segundas-feiras ao sábado e os meses que mais casaram foram outubro (6) e novembro (4).
            Assim foram os casamentos em Santa Izabel dos Canudos. Algumas particularidades no recanto sul da Província, mas nos informam os aspectos da mobilidade social e dos agentes culturais de um povo e sua formação etnográfica.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tropas de Gado em Rio Grande

     
AS ÚLTIMAS TROPAS DE GADO

Recentemente, quando do aniversário da cidade, surgiram algumas colocações quanto à ocupação inicial portuguesa aqui no sul. Discussão longa e repetitiva que poderia ser sintetizada sob duas vertentes: a ocupação econômica com Cristóvão Pereira de Abreu e a ocupação militar sob o comando de José da Silva Paes. Não é de hoje que análises – quer de especialistas, quer de leigos –  propondo a valorização do pioneirismo e a importância de Cristóvão Pereira nestas bandas como marco da fundação do município do Rio Grande. È dele sim a indicação do local apropriado que se podia “povoar, e passar, e ainda que tenha bastante largura, não é dificultoso passar nela os animais”, quando se refere à travessia da Laguna dos Patos, local este que se pode deduzir nas imediações dos Molhes da Barra. Ponto militar de apoio à Colônia do Sacramento que, Gomes Freire e José da Silva Paes pediam nasceria, graças ao conhecimento do terreno no comércio de cavalgaduras de Cristóvão Pereira de Abreu em 1737, surgindo assim o que hoje é o município do Rio Grande.
O tropeirismo foi a ferramenta e a atividade econômica que partia desde a Colônia Sacramento no Uruguai até a praça de comércio de mulas e gado em Sorocaba, São Paulo, desde 1722 com o mais experimentado dos condutores de tropas dos campos sulinos, chamado Cristóvão Pereira de Abreu. Desta forma, representava a abertura dos novos caminhos, relações estabelecidas, contatos e comercialização entre núcleos de povoados diminutos no incipiente Rio Grande de São Pedro. Fundamentalmente, é com os tropeiros a inserção do Rio Grande do Sul na economia nacional. É o comércio das mulas e, com o gado que veio a experiência da integração ainda no século 17 como uma atividade que consolidou o comércio e o nascedouro da vocação da economia rio-grandense até os tempos atuais e a formação de uma identidade histórica.
No entanto, é um tema pouco estudado entre nós e poucos sabem que no ano passado a Assembleia Legislativa aprovou o dia 20 de abril como o dia “Estadual do Tropeirismo”. Mas as cidades gaúchas pouco oferecem como reflexão (seminários, mostras fotográficas, festivais de folclore, núcleos de estudo, rotas, caminhos...) e o importante papel que tiveram na formação do Rio Grande do Sul.        
As últimas tropas de gado em Rio Grande, destinadas aos frigoríficos, foram em meados de 1970 com destino a Rural – Parque de Exposições Filinto Eládio da Silveira – ou ainda, ao Matadouro Municipal e ao Frigorifico Anselmi. Neste período, a Cia. Swift S.A do Brasil, não mais existia. Contudo, ela trouxe a novidade da frigorificação da carne e a industrialização latente no município impondo junto à indústria têxtil, um novo ritmo na economia local no período de 1918. Mas se por um lado oferecia emprego aos operários de baixa renda, por outro, o nível da exploração era aviltante e  na outra ponta da cadeia produtiva com os sistemáticos abates, as autoridades e os fazendeiros nada podiam fazer diante da voracidade dos frigoríficos sobre a estrutura de produção e reposição do gado rio-grandense. Só a Companhia americana, começou o abate de 1.000 reses ao dia, e empregava em torno de 1.500 funcionários.
Na Vila da Quinta ficavam as pastagens, os conhecidos locais de espera das tropas que chegavam das diversas partes do sul do estado, quer a pé ou em vagões  dos trens onde eram descarregados e partiam   para  a cidade de acordo com as credenciais de abate do dia seguinte. O gado partia a pé, em tropas, cruzando caminhos que a urbanização da cidade quase desmanchou. A Rural seria como um ponto de espera para que a noite quando os Bondes paravam de circular, entre onze  horas e  meia noite, pequenas levas, chamadas de “datas” em número de 40 a 50 animais, cruzavam a cidade depois da liberação do trânsito pelo fiscal da Prefeitura Municipal em direção aos frigoríficos.
Ficaram os caminhos, fotos apagadas em preto e branco e, na memória dos velhos tropeiros, um tempo que o progresso sepultou. O Corredor das Tropas virou Avenida dos Bandeirantes e os cavalos não param mais  no Mercado Público da volta das lidas campeiras que varavam a madrugada na entrega dos bois na Swift. Não se faz mais as gritarias envolta dos casebres miseráveis do antigo Cedro na busca do gado arredio. No pastoreio dos campos da Hidráulica não ficaram os vestígios, e muitos não conheceram as tropas de perus a pé que vinham de longas distâncias cruzando caminhos incertos, e poucos ainda lembram  as dezenas de vagões de trens abarrotados  com porcos  rasgando a cidade até a zona portuária.
O trabalho de pesquisa documental e oral teve que ser reordenado. Um manancial de informações e rememoração dos tempos passados trouxe a possibilidade de leituras interessantes de uma cidade e suas vivências sociais. Os tropeiros foram substituídos pelos caminhões boiadeiros e os grandes frigoríficos na cidade não existem  mais. Vai ser interessante nesse nicho de encanto chamado Polo Naval, mostrar as tropas de bois circulando no Rio Grande entre 1904 a 1972.

O Projeto “Imagens Rurais – Tropas e tropeiros em Rio Grande” está buscando linhas de financiamento e interessados na coleta de dados, entrevistas e fotos antigas, entrar em contato com cledenir.vm@hotmail.com.

  Cledenir Vergara Mendonça – Historiador/Especialista em História Rio Grande do Sul – FURG.
  Ana Lice Ribas Garcia - Historiadora/Especialista em História Rio Grande do Sul – FURG.


domingo, 6 de março de 2011

A História das Coisas

   A História das Coisas 

       é um documentário de 20 minutos, que vai direto ao ponto: como colaboramos diariamente pra destruir o planeta. Mostra passo a passo a cadeia de eventos que vai da exploração dos recursos naturais, passando pelo produto manufaturado, a compra e o descarte, até chegar ao lixão. Mas o diferencial aqui é que não é um documentário no estilo BBC ou National Geographic. É explicado com desenhos (toscamente) animados, e numa linguagem simples (sem ser simplista) que se torna interessante e compreensível até para crianças pequenas. E o melhor: é dublado!

http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E&NR=1

Biblioteca digital mundial da unesco

       
NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL DA UNESCO.
Já está disponível na Internet, através do site www.wdl.org

     Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.
     Tem, sobretudo, caráter patrimonial" , antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes:árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas".

     Entre os documentos mais antigos há alguns códices precolombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562", explicou Abid.
    Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Fácil de navegar:

   Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado. Os documentos foram passados por scanners e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas O PORTUGUÊS. A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

    Como se acede ao sítio global?

    Embora seja apresentado oficialmente na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio:

www.wdl.org

     O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registrarem.
     Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.
    Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.
     Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de La Fontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C.

     Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas:
    América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à activa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, à biblioteca de Alexandria no Egipto e à Universidade Rei Abdulá da Arábia Saudita.
    A estrutura da BDM foi decalcada do projecto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e atualmente contém 11 milhões de documentos em linha.
    Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste esse sítio vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo audio-visual.

Fonte: GEHG