Radio Fusion

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Nomes e Lugares do interior

Nomes e Lugares

Uma viagem ao interior de Rio Grande

    Uma pequena localidade constitui uma unidade de espaço e tempo, um espaço identificado com suas silhuetas e planos inacabados. Espaço de memória, construção do olhar sobre uma paisagem que pouco nos pertence.

    Vila da Quinta é um nome interessante. Temos a sensação que ela homenageia um dia da semana, mas não é. È uma Quinta mais simbólica que se arrastou no tempo e no nosso caso, vem das origens lusas das quintas, local de plantio de frutíferas e verduras. Em 1882 com a chegada do trem, a Estação adotou o nome Quinta, do velho quartel militar da Quinta do Cap. Mor desde os anos de 1778, no inicio do caminho que segue para o Taim. Em 1909 com o distrito desmembrado do Povo Novo, mudaram para Julio de Castilhos. Não pegou. Nós gostamos do nome Quinta, e agora? O que preocupa é o nome Vila. Parece que nascemos para ser um vilarejo, mas não faz mal. O Povo Novo é mais antigo e não tem esse complexo. Ele nasceu Pueblo Nuevo del Torotama durante a invasão espanhola em 1763 e somente em 1776 com a retomada dos portugueses passa a ser o nosso Povo Novo. È um nome bonito e por mais que seja para lá de bicentenário, não ficou velho com o passar do tempo. Em seu entorno, múltiplos lugares, referências de um passado de ocupação ainda no século 19. Uns se perderam no tempo, outros resistem, mesmo que nos mapas atuais eles não apareçam. Tem um lugar incomum chamado Alegrias, sentimento nobre em tempo de carrancas mal humoradas. Já o Capão Seco é uma nesga de terra circundada pelo constante encharco dos banhados. Pode ser até incoerência, mas faz parte das relações geográficas estabelecidas a dezenas de anos na qual as pessoas simplificavam o espaço de conviver e o de reproduzir.
    Tudo bem, nada contra o Barro Vermelho, pior é se inventassem outra cor, embora vermelho, vermelhão mesmo não encontrei por lá. Gosto dos nossos nomes porque eles são autênticos. Quase todos passaram dos 100 anos e não herdaram aqueles sufixos ordinários tipo de lugares que terminam em “lândia”. Já imaginaram a Palma ser chamada de Palmalândia? Ridículo. Deixa assim. A estrada da Palma, antigo caminho ao sul já existe a 200 anos e soa bonito, um alegre sonoro dissílabo em vogal aberta.
    Interessante e desconhecidos são os nomes próprio que adotamos. As mulheres tiveram pouco espaço e só a Quitéria foi homenageada. Ela existiu lá pelos anos de oitocentos. Nomes de homens é a maioria e nada de estrangeiro. Nós temos a ilha que foi do Leonidio. Belo sujeito esse. A ilha que foi do pai dele, o Cap. Machadinho, ficou para ele. Quem pode é assim. Outro lugar é o Corredor dos Pinheiros, que todos chamam dos Pinheiros. Não. Não é a arvore que é agraciada, mas o Joca Pinheiro, político e delegado lá nas primeiras décadas de 1900. Domingos Petroline é outro local masculino assim como a estrada do Guamaz. Será que existe a família deste povoador no Povo Novo?
    È claro que não faltaria os aspectos também característicos da geografia nos nomes. O Banhado do Silveira. Tudo bem; A terra era dele, ganhou um pedaço de sesmaria e pronto. Ficou seu nome para sempre. Nomes indígenas foram escassos. O Taim é um caso, que significa “terra de um dente” em mybia guarani e os vestígios arqueológicos é o que não faltam em nossa região, com datações variáveis entre 300 a 800 anos passados. Nomes de santos nunca foi o nosso forte e outros nomes surgiram sem a autorização do homenageado: Lagoa do Jacaré. Nome pomposo, forte e não é uma lagoinha qualquer.
    Nomes simples, do nosso jeito e da velha estirpe portuguesa. Nunca foram estudados e são lembranças dos mais antigos e que se popularizaram através dos tempos. Ainda resistem em poucos mapas e outros citados nos documentos em registros cartoriais dos campos ou inventários do século passado. Muitos são memórias vivas, referências dos nossos lugares e identidades de um povo, mesmo que nem seja percebido no cotidiano das pessoas.

Um comentário:

  1. Boa Noite

    Sou neta de Jacques Salies, um francês que morou na cidade de Rio Grande, aproximadamente nos anos de 1700, seu Irmão teve uma Quinta na atual cidade. Meu avô João Bacci Salies nasceu em Pelotas.
    Meu bisavô veio para Cuiabá Mato Grosso e seu irmão ficou ai, constituindo uma grande família, foram proprietários de Leiteria, Poço Salies, e mais.
    Gostaria de saber algo mais sobre a história da Família Salies, uma das precursoras da imigração Francesa no Brasil, mais precisamente em Rio Grande -RS.
    Sou historiadora, e nós que somos de Mato Grosso, temos interesse em saber a história de nossos parentes. Estamos escrevendo um livro sobre nossa família e precisamos de informações e referencias pertinentes a eles.
    Desde já agradeço.

    Iza Salies

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